Título Original: “Presos que Menstruam - A brutal vida das mulheres tratadas como homens nas prisões brasileiras” | Autor(a): Nana Queiroz | Gênero: Não-Ficção, Sociologia | Ano: 2015| Páginas: 294| Editora: Record | Skoob | Data da Leitura: 04/02/2020
Sinopse: Carandiru
feminino. A brutal vida das mulheres tratadas como homens nas prisões
brasileiras. Grande reportagem sobre o
cotidiano das prisões femininas no Brasil, um tabu neste país, Nana Queiroz
alcança o que é esperado do futuro do jornalismo: ao ouvir e dar voz às presas
(e às famílias delas), desde os episódios que as levaram à cadeia até o cotidiano
no cárcere, a autora costura e ilumina o mais completo e ambicioso panorama da
vida de uma presidiária brasileira. Um livro obrigatório à compreensão de que
não se pode falar da miséria do sistema carcerário brasileiro sem incorporar e
discutir sua porção invisível. Presos que menstruam, trabalho
que inaugura mais um campo de investigação não idealizado sobre a feminilidade,
é reportagem que cumpre o que promete desde a pancada do título: os nós da
sociedade brasileira não deixarão de existir por simples ocultação – senão
apenas com enfrentamento.
Conheci o título por uma indicação da Karen Alvarez no Twitter e
fiquei curiosa no momento em que vi a capa. Li pelo Kindle Unlimited e foi uma
experiência para lá de interessante e chocante.
A autora nos conta diversas histórias de vida de presas nas
instituições carcerárias espalhadas pelo brasil, inclusive, cadeias feitas
exclusivamente para homens que, por conveniência do estado, foram “adaptadas”
para mulheres.
Tudo no livro é muito intenso e ver como as presas são tratadas
chega a ser revoltante. Elas foram presas por cometerem crimes? Sim. Precisam
de punição pelo crime que cometeram? Sim. Precisam ter tratamento degradante e
viver em condições deploráveis? OBVIAMENTE QUE NÃO!
“Criar as mulheres para a competição seria uma estratégia da sociedade machista para dividi-las e mantê-las submissas”
Ninguém deixa de ser um ser humano ou de ter necessidades de ser
humano ou perde o direito a dignidade do ser humano só por ter cometido um
crime, seja ele qual for. Infelizmente, o tratamento dispensado às presas é
péssimo e muitas vivem em condições horríveis em cadeias superlotadas e sem a
capacidade de receber ninguém, muitas vezes com uma infiltrações e mofo, além
de uma comida que, segundo a autora, é intragável e repugnante por diversos
aspectos.
Nana nos conta a história de diversas mulheres presas pelos mais
diversos delitos de uma maneira bastante sensível e sem enrolar. A história que
mais mexeu comigo foi da estudante de direito presa por um crime que, segundo
ela, não cometeu. E por que mexeu tanto comigo? Porque ela cursou Direito na
MESMA universidade que eu e, inclusive, foi presa lá dentro, pouco antes de uma
prova.
“Presos que Menstruam” é um livro que
faz você se questionar se as leis são mesmo feitas para serem seguidas, um
livro que vai fazer você parar a leitura por um momento para respirar, um livro
que depois de lido, nunca mais sairá de dentro de você.
_ _ _ _
A Nana é
jornalista e escritora. Organizou o livro “Você já é feminista: abra este livro
e descubra o porquê” e é autora de “Presos que Menstruam”, além de roteirista
do filme de mesmo nome que está em produção (e querendo virar série). Ela
também é criadora do protesto Eu Não Mereço Ser Estuprada. Entrou nas listas de
mulheres mais destacadas de 2014 do UOL, Brasil Post e do think tank feminista
Think Olga. Foi finalista do Troféu Mulher Imprensa 2016. Como jornalista,
trabalhou nas revistas Época, Galileu, Criativa e Veja, além dos jornais
Correio Braziliense e Metro. No ativismo, é media campaigner da Avaaz. É
bacharel em jornalismo pela USP e especialista em Relações Internacionais pela
UnB.
Outras Obras: Eu,
Travesti | Você
já é Feminista!
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