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18 de dezembro de 2015

Horror em Gotas - Karen Alvares


Horror em Gotas


Sinopse: “Vou lhe contar uma história, mas você tem que prometer não contar a ninguém. Queime esses papéis.”
Horror em Gotas reúne 30 contos de terror, uma gota por dia, um pesadelo por noite, para que você sinta o horror desses personagens na própria pele. Tranque as portas. Apague as luzes. Não olhe para trás. O medo está à espreita e o seu tempo está acabando. Tique. Taque.


Autor(a):  Karen Alvares | Gênero: Horror/Ficção | Ano: 2013 | Páginas: 112 | Editora: -- | Skoob



Após ter resenhado o conto da Karen aqui no blog ("Ninguém", resenha AQUI), a Karen entrou em contato comigo por e-mail para saber se eu estava interessada em ler seu livro "Horror em Gotas", uma coletânea de 30 contos de terror que nasceu de um projeto que ela participou chamado Um Ano de Medo que consistia em publicar um conto por dia, todos os dias por um ano. Karen publicou um conto todas as sextas-feiras até outubro de 2013, quando o projeto infelizmente acabou.

Bom, o livro conta com os 29 contos que Karen publicou em 2013 e um conto inédito. Para mim, todos os contos eram inéditos e todos ensinavam alguma coisa. Nem todos são assustadores, mas alguns me fizeram tirar o chapéu para Karen, ela conseguiu me fazer ficar presa em seu livro até terminar.
"Corra. Sofra. Morra." - Conto Frequência Infernal
Gosto muito de terror e não é qualquer livro ou conto que me agrada ou me faz pensar, "Caramba, isso seria mesmo assustador se fosse verdade.". Às vezes, nem o rei do terror, Stephen King, me surpreende, mas Karen conseguiu me trazer esse pensamento na maior parte de seus contos.

Vou falar de um dos meus preferidos "Focinho de Porco" que conta a história de uma garota que está presa em algum lugar esperando pela morte. Ela sente dor, frio e fome, pensa muito em seu amado Daniel, se ele estava preso em outra sala, se já havia contado o segredo, se estava sofrendo como ela sofria.
"O focinho de porco ficou a centímetros de seus olhos" - Conto Focinho de Porco.
Então, ela ouviu os passos do homem que a mantinha presa e a torturava. O homem usava uma mascara suína para esconder o rosto e era sempre muito violento para tentar arrancar informações dela, porém, na ultima tentativa de tentar fazer com que ela falasse, o elástico da máscara arrebenta...

Só posso dizer que, quando esse elástico arrebentou, meu queixo caiu. Karen foi uma mestre quando escreveu esse conto. 

Se você não tem medo, se gosta de terror, suspense e contos curtinhos escritos com maestria, não pode deixar de ler "Horror em Gotas".

Para conhecer mais sobre a autora, visite seu SITE.


*Ebook cedido em parceria com a Autora.




17 de novembro de 2015

O Escorpião - Felipe de Araújo


O escorpião (Cidade e Fortaleza Livro 1)

Sinopse: O retorno à sua cidade natal pode ser uma experiência animadora ao reviver velhos sentimentos e reencontrar pessoas amadas. Mas e se esse retorno apenas trouxer dor e angústia? 
Um velho residente passeia pelas ruas e revisita memórias que estavam guardadas até chegar ao seu antigo quarto de hotel, onde enfim descobre por que voltou àquele local.

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O conto tem cinco páginas e nos leva pelos pensamentos de nosso protagonista. Ele está numa estação chamada João Felipe e não sabemos o porquê dele estar lá, mas ele resolve voltar para o hotel onde está hospedado. A partir daí, as coisas começam a ficar estranhamente confusas e bem curiosas.
"A noite é sempre igual por aqui. Desde pequeno soube que nada termina bem"
Quando terminei de ler "O Escorpião", minha primeira reação foi pensar que eu não havia entendido nada. Fiquei pensando um pouco no conto, passando as páginas para cá, para lá e pensando se era isso mesmo que eu tinha entendido.
"Os corredores mal iluminados davam uma sensação claustrofóbica. Não gostava de lugares apertados."
O Conto tende a te deixar um tanto quanto confuso, instigado e isso é muito bom. A escrita do autor é muito leve e gostosa e te leva por alguns labirintos difíceis de decifrar, mas que deixam um ar de mistério incrível durante a história.





13 de novembro de 2015

Ninguém - Karen Alvares

 

Ninguém


Sinopse: Um jovem hacker passa seus dias à procura de horrores na Deep Web, até que o próprio Horror finalmente o encontra. E as consequências são piores que a morte.










Autor(a): Karen Alvares | Gênero: Terror/Horror | Ano: 2015 | Páginas: 09 | Editora: Draco | Skoob

Eu nunca pensei que resenhar um conto seria tão difícil. O livro já começa sem fôlego, alguém está com a cabeça enfiada em um tanque de água e você o acompanha numa narrativa eletrizante em primeira pessoa, descobrindo a cada capítulo o que levou nosso protagonista até a situação em que ele se encontra.

Nosso protagonista é um garoto que passava os dias atrás do PC procurando histórias aterrorizantes, até que ele achou a sua. Não quero contar muito sobre a história, já que é um conto pequeno, mas Karen consegue nos prender nessas poucas páginas com uma narrativa eletrizante.
"Mas o que mais me atormenta é saber que estou aqui por minha própria culpa, por minha ridícula curiosidade."
Adoro terror, horror, coisas assustadoras e esse conto fica na camada entre o horror e o desespero de saber o que vai acontecer com nosso protagonista curioso e eu recomendo a todos aqueles que querem um frio na barriga gostoso com uma escrita maravilhosa e cheia de mistério.


25 de maio de 2014

A Garota Invisível - Marília Prata


A história que estou prestes a contar não trata de super-heróis, como você possa imaginar. Ela é sobre uma garota.

A garota invisível.

Ela nasceu anos atrás, na madrugada, enquanto a cidade era refém de uma chuva torrencial... Ou teria sido durante o dia, numa manhã em que o sol brilhava como cristal? Era difícil lembrar; as cortinas fechadas escureciam o quarto da maternidade. Ou será que toda aquela escuridão era proveniente da ambulância, que vinha a toda velocidade?

De modo ou de outro, uma coisa podia ser afirmada: a garota invisível tinha um nome, e isso nada nem ninguém contestava. Mas agora me falha a memória, e eu não saberia dizer. Beatrice, Sophia ou Louise, qual desses nomes deveria ser?

Bem, dessas informações, nenhuma verdadeiramente importava. Porque, da garota invisível, ninguém jamais lembrava.

A escola era um grande problema para a garota invisível. Ela tentou todos os modos de interação com seus colegas – sorrisos, acenos, às vezes, até tímidas conversas. Nada daquilo, contudo, adiantava.  Ninguém nunca na garota invisível atenção prestava.

Em casa, a situação também não era das melhores. O pai era muito ausente; o humor da mãe, um dos piores.

Um dia, a garota invisível cogitou se não passava despercebida por sua extrema palidez. Decidiu ir à praia, pegou um bronze. Não funcionou. Sua pele sensível tornou-se vermelha e ardente, e, ainda por cima, depois de alguns dias descamou.

Bufante, a garota invisível foi para seu quarto, deitar-se. Desejou, então, ser um fantasma; quem sabe, assim, pelo menos um médium a avistasse.

De todos os amigos imaginários da garota invisível, o Sr. Espelho lhe era o mais especial. Refletindo sua imagem diariamente, ele a lembrava de que ela era real. Ela não imaginava que pudesse existir, na face da Terra, amigo mais leal.

Mas nem tudo que é bom dura para sempre, e uma tragédia aconteceu. Em uma manhã nublada (ou uma noite iluminada?), Sr. Espelho morreu.

Em desespero, a garota invisível ajoelhou-se e, com a visão que teve, chocou-se. Ela não sabia o que fazer. Cuidadosamente, tentou os estilhaços do amigo, fragmentado sobre o piso do quarto, colher.

Infelizmente, todos os seus esforços foram em vão. Sr. Espelho foi enterrado à sete palmos do chão.

A garota invisível nunca se sentiu tão só. Inconsolável, sentou-se perto da porta (janela), onde derramou lágrimas tão invisíveis quanto ela.

Questionou-se, então, em meio a tanta solidão, se de fato era um ser existente e, aos poucos, suas pernas e braços começaram a ficar transparentes. Foi surpreendente.

Para ninguém foi importante o seu repentino sumiço. A polícia não foi atrás. Não havia notícias sobre ela nos jornais. Nem mesmo na escola, onde, agora, uma cadeira vazia havia, nenhuma criança sua falta sentia.

A garota invisível havia desaparecido. Ela havia ido embora, sem deixar rastros de que, algum dia, teria sequer vivido.

18 de maio de 2014

"Os Reinos de Cérebro e Coração" - Marília Prata

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Era uma vez, em um lugar não muito distante, mas também não tão perto assim, no continente de Ser Humano, dois grandes reinos: Cérebro e Coração. Embora independentes entre si, estes dois reinos, que eram os mais importantes dali, estavam constantemente a derramar influências políticas um sobre o outro, visto que a escolha de novos representantes para o exercício do poder poderia gerar consequências para ambas as regiões. Aliás, os efeitos de tais escolhas poderiam inclusive fugir do controle e ir muito mais além, atingindo totalmente a área do continente de Ser Humano.
Desde que Infância havia partido do reino de Coração, época que coincidiu com o desenvolvimento de Cérebro, o poder centralizou-se nas mãos de quatro sentimentos: Amor, Ira, Solidão e Tristeza. Destes, era Amor considerado o sentimento mais belo e perfeito de todos os já conhecidos, tanto era que seu número de admiradores, fosse em Cérebro, fosse em Coração, faria qualquer um se perder facilmente em meio às contas. Isso se dava pois, independentemente das circunstâncias, Amor sempre aparecia como um sentimento puro, ingênuo, inatingível por qualquer mal.
Desta maneira, quando não se encontrava no poder, Amor estava sendo procurado para tal cargo ocupar, o que, de certo modo, incomodava Ira, Tristeza e Solidão. Certo dia, então, os três sentimentos receberam uma estranha e inesperada visita. Inveja, uma velha feiticeira, que em todo lugar estava e de tudo sabia, apareceu no grandioso castelo habitado pelos quatro sentimentos, e, somente ao ter certeza de que aqueles eram os três únicos sentimentos no local, injetou em cada um deles um pouco de seu próprio sentimento.

- Ó, Grande Inveja, explicai-vos então, se como o Amor jamais conseguireis ser, de que maneira podereis vós atingi-lo, roubando-lhe todo o poder? – indagou Tristeza, melancolicamente.
Inveja silenciou-se, como se pensasse , embora já soubesse a resposta para a pergunta há muito tempo.

- Vamos, digas de uma vez! Toda essa demora já me faz aborrecido! – Ira apressava-a, afundando em impaciência.
Quanto à Solidão, esta nada disse ou nada fez, pois sozinha estava.

- Há algo, - ela começou, com sua voz rouca e fina, enquanto apoiava sua velhice em um aparentemente frágil pedaço de madeira – Que Amor sempre carregou nas costas, embora poucas sejam as ocasiões nas quais possamos vê-lo. Sofrimento é o seu nome, e ele é um fardo do qual o Amor jamais se livrará.
Os três sentimentos entreolharam-se momentaneamente, com a urgente necessidade de compreender como tal descoberta poderia lhes servir, o que tornou-se evidente quase de maneira instantânea. Quando, então, viraram para agradecer a velha feiticeira, ela ali já não mais estava; fora embora tão misteriosamente quanto havia surgido.
Passaram-se, assim, os dias, sem que, em momento algum, Amor desconfiasse do tal acontecimento. Pouco tempo depois, Razão, rei do reino Cérebro, foi apresentado a um mensageiro vindo de Coração, o qual, antes de partir, uma carta lhe entregou. O Rei leu-a sem demora, imaginando que o documento não poderia tratar de nada mais do que de uma terrível desgraça, e ele não deixou de estar correto, pelo menos não no seu ponto de vista.

- Tragam aqui meu irmão. Depressa! – gritou o rei para os serviçais Neurônios, os quais, sem delongas, obedeceram à sua ordem. Logo, Pensamento apareceu, postando-se respeitosamente em sua frente.
- Ordenou que me chamassem, meu caro irmão?
- Ó, Pensamento, não tenhas medo, aproxime-se de mim. Pressinto que algo trágico, muito trágico ocorrerá se eu de nenhum modo agir, e preciso de teus preciosos conselhos para me guiar.
- Caro irmão, tu tens calma, que não consigo entender-te. O que há neste papel que seguras com tanta angústia?
- Amor. Amor não é o sentimento tão perfeito que imaginávamos. Dentro dele existe o Sofrimento. Como pode, meu irmão, como pode! Dois sentimentos tão opostos a ocupar o mesmo espaço, como pode! Diga-me!
- Razão, ouça-me...
- Não! Não posso perder mais deste precioso tempo que me resta. Nosso reino, nosso continente inteiro poderá ficar completamente devastado se porventura o Amor der espaço ao Sofrimento. Não me entendas mal, nunca pretendi gastar estes poucos minutos à toa, mas preciso ir agora. Em breve estarei de volta.
E foi. Quando voltou, Amor havia sido cruelmente enxotado para fora do reino de Coração, com a ordem de nele nunca mais voltar, pois um sentimento supostamente tão bom não deveria ser capaz de causar tamanha dor e, se fosse para ser assim, não deveria permitir-se sequer sua existência.
O que ninguém esperava ou sabia era que do governo de Ira, Tristeza e Solidão iria prosperar algo ainda mais devastador e monstruoso do que qualquer um poderia imaginar. A conjugação de poderes dos três sentimentos teve como fruto a terrível Morte, cujas asas negras afundaram o continente nas mais profundas trevas.
Sua força maligna era inigualável. Consequentemente, muitos sentimentos não suportaram e desapareceram no reino de Coração, enquanto Cérebro foi tomado por uma enlouquecedora melancolia. Completamente arrependido de seus atos, Razão novamente saiu para se aventurar, agora com o intuito de trazer o Amor de volta, mas o que encontrou foi apenas Decepção e Derrota.

- Pensamento. – chamou o irmão. Já não tinha muitas forças.
- Pois não, irmão?
- O que querias tu me dizer naquele dia, antes que eu te interrompesse e fosse embora? O que eu precisava saber, porém estupidamente ignorei, e por que não posso de forma alguma encontrar o Amor? Responda-me, meu irmão. Tu, que tens provado ser tão superior a mim.
- Cara Razão. Há uma coisa que poucos sabem, talvez sequer cheguem a saber um dia. Embora o Amor possa acarretar o Sofrimento, ele é o único sentimento capaz de fazer com que nos sintamos verdadeiramente vivos, por menor que seja a duração desta sensação tão bela. Sem ele, estaríamos destinados a viver em um estado de Morte Eterna, e a conclusão a que se chega é a de que, às vezes, o sofrimento passageiro é indiscutivelmente melhor do que o nada constante. Quanto a achar o Amor, não te preocupes com isso. Ele é extremamente fiel ao seu reino, um dia retornará. De nada adiantará procurá-lo. É ele quem o encontrará.

Com estas palavras ditas, Pensamento saiu, deixando o irmão sozinho para que pudesse refletir.


Sobre o Autor:
Marília Prata Marília Prata

A Melhor pessoa que você pode vir a conhecer nessa vida.
 
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